Como um simples cálculo pode reduzir em mais de 20% o lucro que você acreditava ter.

Muitos empresários acreditam que conhecem o custo dos seus produtos. Afinal, basta saber quanto pagaram pela matéria-prima, certo?

Na realidade, essa é uma das maiores armadilhas da gestão financeira.

Recentemente analisei o caso de um empreendedor que começou a obter uma renda extra com impressão 3D. Apesar de vender bem, ele não entendia por que o dinheiro não sobrava no final do mês.

Foi então que resolvemos revisar os custos reais da operação.

Embora o exemplo seja de impressão 3D, essa análise pode ser aplicada a praticamente qualquer empresa.

O cálculo que parecia correto

O empreendedor comprava um rolo de filamento por R$ 100,00, contendo 1 kg (1.000 g).

Uma determinada peça utilizava 30 gramas de material.

O cálculo dele era simples:

·       Rolo de filamento: R$ 100,00

·       Peso total: 1.000 g

·       Custo por grama: R$ 0,10

Como a peça utilizava 30 g:

30 g × R$ 0,10 = R$ 3,00

A peça era vendida por R$ 10,00.

Na visão dele:

Custo do Material R$ 3,00

Valor de Venda R$ 10,00

Lucro R$ 7,00

Até aqui, a lógica parece perfeita.

Mas existe um detalhe que muitos empreendedores deixam de considerar.

O custo vai muito além da matéria-prima

Então fiz uma pergunta simples:

Você calcula os custos indiretos da produção?

A resposta foi:

“Nunca tinha pensado nisso.”

Foi nesse momento que começamos a calcular o verdadeiro custo da peça.

1. Depreciação da impressora

A impressora custou aproximadamente R$ 2.000,00.

Segundo o fabricante, sua vida útil é estimada em 40.000 horas.

Isso significa um custo aproximado de:

R$ 0,05 por hora de utilização.

2. Energia elétrica

Durante a impressão, o equipamento consome aproximadamente 60 W, ou 0,06 kWh por hora.

Considerando uma tarifa média residencial de R$ 1,10 por kWh, temos um custo aproximado de:

R$ 0,07 por hora de impressão.

Embora pareça pequeno, esse valor existe e deve ser considerado.

3. Desperdícios e falhas

Antes de iniciar cada impressão existe descarte de filamento.

Quando a impressão utiliza várias cores, esse desperdício aumenta.

Além disso, nem todas as peças ficam perfeitas na primeira tentativa.

Existem falhas, peças descartadas e retrabalhos.

Adotando uma margem conservadora de 10% sobre o consumo de material, temos: R$ 0,30

4. Mão de obra

Mesmo quando a impressão ocorre de forma automática, alguém:

·       prepara o arquivo;

·       configura a impressão;

·       acompanha o processo;

·       remove suportes;

·       limpa a peça;

·       embala o produto;

·       atende o cliente.

Tempo também possui custo.

O verdadeiro custo da peça

Considerando uma peça de 30 g, com aproximadamente 1 hora de impressão, chegamos ao seguinte resultado:

Descrição

Filamento R$ 3,00

Depreciação da impressora R$ 0,05

Energia elétrica R$ 0,07

Desperdícios R$ 0,30

Mão de obra estimada R$ 1,03

Custo real R$ 4,45

Vendendo essa peça por R$ 10,00, o lucro verdadeiro deixa de ser R$ 7,00 e passa para: R$ 5,55

Ou seja, apenas esse cálculo reduziu a margem em aproximadamente 21%.

O impacto é ainda maior em produtos mais complexos

Depois analisamos outra peça.

Características:

·       Consumo de filamento: 100 g

·       Tempo de impressão: 3 horas

·       Necessidade de lixamento

·       Pintura manual

·       Acabamento

O empreendedor acreditava que lucrava aproximadamente R$ 20,00 por unidade.

Após considerar todos os custos envolvidos, chegamos ao seguinte cenário:

Descrição

Filamento R$ 10,00

Depreciação R$ 0,15

Energia elétrica R$ 0,20

Desperdícios R$ 1,00

Mão de obra R$ 7,43

Tinta R$ 0,10

Custo real R$ 18,88

Valor de venda: R$ 30,00

Lucro real: R$ 11,12

Perceba que, embora ainda exista lucro, ele é muito menor do que o empresário imaginava inicialmente.

Mais importante do que o valor exato é compreender que uma precificação baseada apenas na matéria-prima pode levar a decisões equivocadas, especialmente quando o negócio começa a crescer.

O que esse exemplo ensina?

Embora o exemplo seja de impressão 3D, o mesmo acontece diariamente em:

·       restaurantes;

·       oficinas;

·       lojas;

·       prestadores de serviços;

·       indústrias;

·       escritórios.

Muitos empresários conhecem o preço de compra dos seus produtos, mas poucos conhecem o custo real de produzi-los ou entregá-los.

E isso pode fazer toda a diferença entre acreditar que a empresa é lucrativa e realmente obter lucro.

Conclusão

Antes de aumentar as vendas, faça uma pergunta simples:

Você realmente conhece o custo do seu produto ou serviço?

Uma boa gestão de custos não serve apenas para definir preços.

Ela permite tomar decisões mais inteligentes, preservar margens e garantir a sustentabilidade do negócio.

Na V&V Assessoria Contábil e Empresarial, acreditamos que a contabilidade vai muito além do cumprimento das obrigações fiscais. Ela deve fornecer informações que auxiliem empresários na tomada de decisões estratégicas.

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